Sobre

História

A história da Recanto está entrelaçada com a saga do café fino, que fez do município de Machado, no Sul de Minas, um dos destaques da produção cafeeira nacional.

Os primeiros registros oficiais de cultivo de café em Machado datam de 1874, e na Fazenda Recanto não foi diferente – documentos comprovam que há cultivo de café na Fazenda desde 1896.

A propriedade sempre pertenceu à família Magalhães. Maria Selma e Afrânio, proprietários desde 1985, são a quarta geração da família na Recanto e continuam fiéis à tradição de produzir cafés especiais. O casal cuida carinhosamente da Fazenda, e procura aliar a modernização das técnicas de cultivo ao respeito à tradição, implantando tecnologias e equipamentos para aumentar a qualidade dos cafés e preservando o uso das antigas estruturas da fazenda.

A área que hoje constitui a Fazenda Recanto pertence à família da atual proprietária desde o final do século XVIII, quando, vindos de São João Del Rey, o capitão-mor Custódio José Dias e familiares ocuparam a vasta região onde foram fundados posteriormente o arraial da Sacra Família e de Santo Antônio do Machado. Conforme o historiador Homero Costa, um casal de sobrinhos do capitão-mor Quitéria Josefa da Silva e Misael de Souza Magalhães se estabeleceu em terras que, “compreendiam, segundo temos informação, a antiga fazenda “São Luiz”, mais tarde desdobrada para formar a do “Recanto” e, ainda ao que supomos, a do “Campinho”, no bairro desse nome.”

No Arquivo Público Mineiro, seção de Registros Paroquiais, códice nº 4, encontra-se o livro de registro de terras da Paróquia de São José e Dores dos Alfenas, escrito entre 1855 e 1857. Nele, sob o nº 256, assim se descreve a área pertencente a Misael de Souza Magalhães:

[...] ha Fazenda denominada – São Luiz – q. houve p.r compra, e herança contendo quatro centos alqueires entre pastos e culturas, cujas divizas são as seguintes: com Cândido de Souza Dias, João Alves Campos, M.el Glz,’ Lopes, com J. e. Paulino da Costa, com Jerônimo Pereira do Lago, com Joaq.m Ant.º Pereira, e Vital Antonio de Siqueira. Glebas menores já haviam se separado dela: uma registrada sob nº 274, na p.109, em nome de João Antônio Machado, e a outra sob nº 278, na p. 110 v., em nome de Anna Caetana, além da Fazenda do Campinho (ainda conforme Homero Costa), com 250 alqueires, registrada sob nº 35, nas p.19/19v., pelo Tenente – Coronel Custódio José de Souza Moreira.

Devido à sua fertilidade, as terras da Fazenda Recanto foram empregadas no cultivo do café tão logo ele foi introduzido na região, no último quartel do século XIX, conforme as primeiras referências ao plantio na então Freguesia de Santo Antônio do Machado. O famoso Almanack Sul-Mineiro de 1874, editado em Campanha por Bernardo Saturnino da Veiga, informava que por aqui

“Já existem plantados [...] com segurança 220 mil pés de cafeeiros, dos quais uma grande parte já está dando fructo, igual em qualidade ao das províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo, como tem provado o seu uso.”

Há menção à Fazenda São Luis no primeiro Livro de Lançamento do Imposto Especial do Café do Município de Machado, datado de 1896. Nesse códice, a fazenda já consta como pertencente a Olímpio de Souza Magalhães (1855-1920), filho de Misael de Souza Magalhães e bisavô paterno da atual proprietária. Olímpio, pela produção de 200 arrobas da rubiácea, foi tributado em 8$000(oito mil réis). Prosseguiu como segundo maior produtor de café do Município no período de 1899 a 1912, com uma tributação já expressivamente superior a 150$000 (cento e cinqüenta mil réis), de acordo com documentos levantados na Casa da Cultura de Machado. Além de fazendeiro, Olímpio exercia a função de “capitalista” – nome pelo qual eram conhecidos aqueles que emprestavam capital – conforme classificação recebida pelo Almanack Sul-Mineiro de 1874.

Em 1916 Olímpio dividiu a Fazenda São Luis entre seus herdeiros. Uma parte, com o nome antigo, passou à filha Alice Magalhães Dias, casada com o Dr. Edvar Dias; outra, denominada Fazenda Recanto, ficou para o filho Lázaro Cândido Magalhães, que casou-se com Josina Josefina Dias no ano seguinte. Naquela ocasião do casamento em 1917 foi edificada a sede da Fazenda Recanto. O novo nome, pelo que se relata, decorre do fato de considerar-se a nova propriedade como “um canto” da outra.

Após a crise cafeeira dos anos 1930, Machado passou a se especializar na produção de cafés finos, inaugurando a Fazenda Experimental de Machado (atual EPAMIG), a filial do Banco Mineiro do Café, entre outras iniciativas. Na década de 1950, Machado foi ponto de lançamento pela campanha nacional de cafés finos liderada pelo empresário e jornalista Assis Chateaubriand, com o apoio do governador e futuro presidente da república, Juscelino Kubitschek.

Com grande tirocínio e capacidade empreendedora, Lázaro adotou prontamente a tecnologia dos cafés finos na Recanto, além de prosseguir e aumentar a produção, tanto na Recanto como em outras fazendas que adquiriu, recebendo prêmios em diversas exposições agropecuárias. Após sua morte, em outubro de 1952, a Recanto foi dividida entre a viúva e os cinco filhos, ficando, na maior parte, sob administração do primogênito inventariante, o engenheiro-agrônomo Dr. José Thales Magalhães. José Thales continuou o cuidadoso trabalho no trato da cultura cafeeira e, quando a mãe faleceu, em fevereiro de 1982, adquiriu os quinhões dos irmãos Gílson Pio Magalhães, Maria Julieta Magalhães, Maria de Lurdes Magalhães Swerts e Lázaro Candido Magalhães Neto. Reunificando a propriedade, reconstruiu-lhe a sede, reformou as casas da colônia, o terreiro de secagem e instalou novos equipamentos para beneficiar o principal produto de sua lavoura.

Por fim, no final de 1985 mudou-se para o Recanto a caçula de José Thales, a também engenheira-agrônoma Maria Selma Magalhães Paiva, casada com o colega de profissão Afrânio José Ferreira Paiva. Dez anos após, com o óbito do pai, ambos se tornaram os atuais donos da fazenda, por disposição testamentária. Na esteira dos antepassados, vêm cuidando carinhosamente dela, procurando sempre aliar o respeito à tradição e a modernização do cultivo. Valendo-se das inovações técnicas e preservando o legado ancestral, Maria Selma e Afrânio buscam transmitir à nova geração o amor ao que foi construído com tanto esforço, para que a Fazenda seja não só rentável, mas também útil à comunidade.

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